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Bolsonarismo entre a ‘ucranização’ e a ‘putinização’

Os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e da Rússia, Vladimir Putin, encontraram-se no Kremlin, em Moscou, no dia 16 de fevereiro de 2022 — Foto: Alan Santos/PR

Uma faixa nas manifestações de 7 de setembro do ano passado conclamava os bolsonaristas a “’ucranizar’ o Brasil”. Antes disso, a marcha com tochas para ameaçar o Supremo Tribunal Federal, em maio de 2020, a extremista Sara Giromini orgulhava-se de ter sido treinada por uma milícia da ultradireita ucraniana. Foi o primeiro ataque formal a instituições democráticas realizado durante o governo Jair Bolsonaro. Ucranizar, para esses apoiadores, era partir para a desobediência civil violenta, dando mais poderes ao presidente Bolsonaro, eliminando os mecanismos de pesos e contrapesos da democracia liberal.

Mas hoje, Bolsonaro mostra simpatia pelo presidente russo, Vladimir Putin, o algoz dos que defendem a ucranização. Nas redes sociais, bolsonaristas exaltam as qualidades do líder russo, seu conservadorismo, e as posições contra gays e feministas. Mas afinal, o que quer a extrema direita brasileira: ucranizar ou putinizar?

Para entender melhor, o blog recorreu ao coordenador do Observatório da Extrema Direita, David Magalhães, que também é professor de Relações Internacionais da PUC-SP e da FAAP.

1 – Nas manifestações de 7 de setembro, alguns grupos bolsonaristas de extrema direita carregavam faixas com os dizeres “Ucraniza, Brasil”. O que significa isso?

Quem popularizou o bordão “ucranizar o Brasil” foi a Sara Giromini e seu movimento dos 300. A expressão remete ao contexto político na Ucrânia entre 2013 e 2014, quando o governo ucraniano decidiu abandonar seu pleito para entrar na União Europeia após pressões de Putin. A essa decisão seguiram-se grandes manifestações conhecidas como Euromaidan e protestos violentos protagonizados por milícias de extrema direita. Chegaram a invadir o palácio do governo, o que acarretou a deposição do presidente pró-Rússia, Viktor Yanukovich. Foi nessa conjuntura que muitos grupos paramilitares de extrema direita foram criados, dentre eles o Batalhão Azov e o Pravyi Sektor, cuja bandeira já apareceu diversas vezes em manifestações bolsonaristas na Avenida Paulista. Ucranizar, portanto, seria um chamado para a desobediência civil violenta, promovida por uma minoria radical e nacionalista com vistas a expurgar as velhas elites do poder.

2 – A liberação de armas para população civil é parte da estratégia dessa desobediência civil violenta?

Sem dúvidas. Quando as franjas mais radicais do bolsonarismo percebem que não podem contar com a participação da cúpula das forças armadas para uma eventual aventura golpista, a saída é fomentar as milícias, polícias e o armamento da população. É claro que essa estratégia se mistura, no imaginário bolsonarista, com a defesa “libertária” do direito ao porte de armas, o que revela a influência da direita sulista dos EUA e a forma como exaltam a “sacrossanta” Segunda Emenda da Constituição dos EUA. Não é à toa que os filhos de Bolsonaro vivem postando fotos em clube de tiros. Ao contrário dos países pertencentes à União Europeia, na Ucrânia a ausência de uma legislação restritiva ao porte de armas faz com que o país se torne um dos principais polos de proliferação ilegal de armas de fogo. Isso tem municiado organizações paramilitares de extrema direita.

3 – Neste contexto, não é contradição Bolsonaro fazer a acenos de solidariedade a Putin?

Não necessariamente. O bolsonarismo é um movimento heterogêneo. Se há quem defenda a “ucranização do Brasil”, há também quem veja o Putin como o mais proeminente líder de uma ordem internacional iliberal. Ordem essa avessa aos direitos humanos, às pautas LGBTQIA+, feministas e de minorias em geral. Putin e Bolsonaro compartilham também essa identidade do líder viril, testosterônico e autoritário. No cercadinho, para seu público de seguidores mais fiéis, Bolsonaro afirmou que Putin é conservador e, nesse sentido, a ideologia os une. Sem contar outros grupos vinculados ao Steve Bannon que exaltam a figura de Putin como um restaurador do tradicionalismo contra a modernidade liberal.

Veja análises de Octavio Guedes:


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